Assessora de Guedes: desoneração da folha vai exigir mais imposto ou nova reforma
Para cumprir a promessa de desonerar a folha de pagamentos, o governo vai precisar aumentar imposto ou fazer uma nova reforma da Previdência. O aviso é da assessora especial do Ministério da Economia, Vanessa Canado, que discutiu os impactos da reforma tributária com o setor de serviços nesta segunda-feira (10/08).
A assessora do ministro da Economia, Paulo Guedes, falou sobre o assunto após ser questionada por empresários do setor de serviços sobre o andamento da proposta de desoneração da folha. Esta é uma promessa de Guedes para estimular a geração de empregos no pós-coronavírus e aliviar o aumento de impostos que a reforma tributária vai impor ao setor de serviços.
Canado assegurou que a proposta está na pauta, pois é “um assunto caro ao ministro e um tema recorrente em todas as nossas reuniões”. E garantiu que a equipe econômica tem “buscado todas as alternativas possíveis” para bancar a redução dos encargos trabalhistas.
Para o ministro, a redução dos encargos trabalhistas deve ser custeada pela criação de um imposto que incida sobre as transações eletrônicas, como a antiga CPMF. A proposta, contudo, divide a sociedade e o Congresso. Por isso, ainda não foi apresentada oficialmente pelo governo.
Vanessa Canado não falou diretamente sobre a “nova CPMF”, mas admitiu que a desoneração da folha vai exigir certo sacrifício. Ela argumentou que “hoje, o Brasil não tem condições de reduzir a carga tributária”, especialmente por conta da crise instalada pela pandemia do novo coronavírus”. E disse que, por isso, “quando a gente fala de uma alíquota menor para qualquer coisa imediatamente a gente fala de uma alíquota maior para outra”. “A gente não tem condições de diminuir a carga. Então, alguém vai pagar a conta”, disse.