Na segunda parte do Seminário Internacional de Previdência Complementar dos Servidores Públicos em Belo Horizonte (MG), realizado na última quarta-feira (31), os palestrantes estrangeiros explicaram o funcionamento de sistemas de previdência complementar adotados no exterior, abordando os desafios e a experiência adquirida ao longo dos anos.

A primeira palestra foi do diretor administrativo e chefe de planejamento estratégico da TIAA-CREF – Fundo de Pensão dos Professores Universitários dos Estados Unidos -, Jairo Riveros, que começou pelo histórico da instituição, que se mostra organizada e bem sucedida, com experiência de quase 100 anos no mercado.

De acordo com Jairo Riveros, a TIAA (Teachers Insurance and Annuity Association of America), Associação de Seguros e Rendas Vitalícias de Professores Americanos, em português, foi fundada em 1918 para prover uma fonte de renda vitalícia aos professores americanos aposentados. Já o CREF (College Retirement Equities Fund), ou Fundo de Ações para a Aposentadoria de Professores Universitários, foi criado em 1952, como o primeiro provedor de rendas vitalícias variáveis. Os ativos administrados pela TIAA-CREF chegam a US$ 487 bilhões e a instituição representa 15 mil instituições, tem 3,7 milhões de clientes assistidos e é um dos líderes na provisão de planos previdenciários e rendas vitalícias nos Estados Unidos.

Um dos destaques feitos por Riveros em sua explanação foi que a TIAA-CREF tem governança bem estruturada – com independência dos conselheiros (sem vínculo trabalhista e interesses pessoais ou financeiros com a companhia) e controle efetivo por meio de auditorias -, o que proporciona maior equilíbrio entre os dois pilares de atuação: rendas vitalícias e vitalícias variáveis. “A primeira lição que aprendemos é que para poder gerir planos ao longo de quase 100 anos temos um segredo: governança bem estruturada e um controle muito efetivo em auditorias. É muito importante também o conselho ser composto por uma maioria substancial de membros independentes”, defendeu Riveros.

Desenho dos planos da TIAA-CREF – Em relação aos planos previdenciários, o palestrante ressaltou que existe um enfoque abrangente em seu desenho, com dois objetivos fundamentais, divididos entre a fase de acumulação e a do benefício. Na fase de acumulação, a intenção é acumular um volume suficiente de poupanças para a aposentadoria e, na fase de benefício, prover uma base garantida de rendas vitalícias. Ele mostrou vários exemplos de fundos, conservadores e agressivos, envolvendo capitalização em renda fixa, ações, imóveis etc.

Conforme informou Riveros, para a definição dos planos por beneficiário, são considerados o comportamento e as necessidades do público – por meio de assessoria e educação financeira e previdenciária – metas de renda na fase de aposentadoria (taxa de reposição, que alcança cerca de 77%), seleção de fundos de investimento administrados por gestores diferentes e estratégias de alocação de ativos baseadas em graus individuais de tolerância ao risco. “Todos os produtos têm o foco de fornecer uma solvência econômica na aposentadoria. Por isso, nosso programa tenta trabalhar quais são os objetivos a longo prazo, definindo metas de renda na fase da aposentadoria. Precisamos analisar a necessidade econômica de cada pessoa para defini-las. O objetivo é tentar maximizar a reposição, buscando dois pontos: metas e qual o tipo de flexibilidade, além das necessidades individuais dos participantes, dentro dos planos desenvolvidos para o empregador ou para o grupo em geral”, explicou Jairo Riveros.

Fonte: Agafisp