Em ação que contou com a integração entre o Ministério do Trabalho, Previdência Social (MTPS), Polícia Federal e Ministério Público Federal, dez pessoas que fraudavam auxílios-doença e aposentadorias por invalidez no Espírito Santo foram condenadas, entre elas, o ex-deputado estadual Wolmar Campostrini Filho, considerado o chefe da quadrilha. Ele foi condenado a 17 anos e oito meses de prisão e ao pagamento de multa ao INSS. As informações são do MPS.

Para Marcelo Ávila, chefe da Assessoria de Pesquisa Estratégica e Gerenciamento de Riscos (APEGR) do MTPS, “esse caso foi emblemático não só pelos envolvidos na fraude, mas também pelo trabalho de investigação e pesquisa desempenhado pela Polícia Federal e pelo então Ministério da Previdência Social”.

Ele ressalta que “o resultado é como uma resposta da Justiça à população, que ratifica o trabalho que desenvolvemos para coibir ações fraudulentas contra o sistema previdenciário e garantir que pessoas que cometem crimes respondam pelo prejuízo que causaram à sociedade”.

A fraude

O caso começou a ser investigado em 2006, quando a Polícia Federal encaminhou denúncia à representação da APEGR no Espírito Santo. O setor de inteligência da Previdência Social iniciou as pesquisas para identificar os denunciados. Entre eles, Wolmar Campostrini Filho, ex-servidor perito médico do INSS e ex-deputado estadual, que chefiava o esquema e utilizava benefícios previdenciários para interesses político-eleitorais.

A partir das suspeitas de fraude em benefícios por incapacidade, a APEGR solicitou a realização de novas perícias médicas. No entanto, os peritos médicos capixabas vinham sofrendo ameaças e, por isso, especialistas do setor de inteligência foram convocados a fazer as perícias no lugar deles.

“Nós também recebemos ameaças antes mesmo de realizar as perícias. Foi tão sério, que tivemos até de trocar de hotel”, relatou um perito médico que integra a APEGR e participou das investigações. Ele também lembra que a clínica envolvida na fraude fornecia documentos ao INSS registrando doenças tão graves “de modo que as pessoas, provavelmente, não estariam vivas no momento da perícia”.

Em 2007, com base em todos os dados colhidos pela APEGR, a Polícia Federal instaurou inquérito, sendo deflagrada a Operação Auxílio Sufrágio, no ano seguinte. Na ocasião, 48 pessoas foram presas, entre elas a filha e a ex-mulher de Campostrini Filho.

Condenação

Em fevereiro de 2015, a Justiça condenou 10 envolvidos que receberam penas que variam de um a 17 anos de prisão, em regime fechado, pelos crimes de formação de quadrilha, estelionato e inserção de dados falsos nos sistemas da Previdência Social.

Além do ex-deputado estadual, foram condenados seu assessor parlamentar, um perito médico do município capixaba de Cariacica, quatro despachantes, além de três servidores do INSS.

Fonte: Previdência Total