Projeto dque tranita no Senado Federal abre três novas possibilidades para o trabalhador sacar o Fundo de Garantia doTempo de Serviço (FGTS). O PLS 322/2016 permite o uso do dinheiro para pagamento de curso de nível superior, de cirurgias consideradas essenciais à saúde e de empréstimos consignados. As regras para os saques devem ser previstas em regulamentos específicos, conforme a proposição.

Para atingir seu objetivo, o projeto altera o artigo 20 da Lei 8.036/1990, que estabelece as situações em que o trabalhador pode usar os recursos de sua conta. Demissão sem justa causa, o financiamento da casa própria e tratamentos de saúde são algumas das hipóteses já previstas atualmente.

Ao justificar sua proposta, o senador Eduardo Amorim ressalta o elevado grau de endividamento das famílias brasileiras e o alto nível de desemprego. Por isso, segundo ele, é importante dar uma alternativa a mais para que o trabalhador possa quitar, total ou parcialmente, seus compromissos.

Além disso, acrescenta, desde 2015, a redução de recursos destinados ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) levou à diminuição nas matrículas no ensino superior privado no Brasil. “Nesse contexto, o FGTS contribuirá para retomar, em parte, a política de incentivo ao ensino superior”, argumenta ele.

O senador também considera importante ampliar os casos em que o FGTS possa ser utilizado em benefício da saúde do trabalhador. Ele lembra que o sistema brasileiro de saúde, gratuito e universal, tem deixado muitos cidadãos à espera de atendimento, mesmo em situações essenciais.

Situações em que o trabalhador pode movimentar sua conta de FGTS (art. 20, Lei 8.036/1990):

* Despedida sem justa causa

* Aposentadoria concedida pela Previdência Social

* Extinção ou fechamento da empresa

* Morte do trabalhador

* Financiamento habitacional

* Aquisição de moradia própria

* Ausência por 3 anos ininterruptos do regime de FGTS a partir de 1990

* Extinção do contrato a termo (a prazo), inclusive de trabalhadores temporários

* Suspensão do trabalho avulso por mais de 90 dias

* Neoplasia maligna (trabalhador ou seus dependentes)

* Aplicação em quotas de fundos mútuos de privatização

* HIV  (trabalhador ou seus dependentes)

* Estágio terminal em casos de doença grave, inclusive dependentes

* A partir de 70 anos

* Necessidade pessoal cuja urgência e gravidade decorra de desastre natural

* Integralização de quotas do FI-FGTS

* Aquisição de órteses ou próteses

Novas situações previstas pelo PLS 322/2016

* Quitação total ou parcial de empréstimo consignado feito há pelo menos um ano

* Pagamento de curso superior

* Realização de cirurgias essenciais à saúde, exceto as estéticas

Fonte:  Agência Senado