No aeroporto de Confins, Robson Maciel e Leonardo Tavares tentaram remarcar voo da Avianca para outra companhia (foto: Alexandre Guzanshe/Estado de Minas)

Companhia fará leilão de licenças de operação e do seu programa de fidelidade para levantar R$ 800 milhões. Passagens ficam mais caras

Para as companhias aéreas, os aeroportos de Congonhas, em São Paulo, o de Cumbica, em Guarulhos, e o Santos Dumont, no Rio de Janeiro, são ouro puro em termos de rentabilidade, demanda e número de passageiros. Mas são desses terminais que a Avianca Brasil precisará abrir mão para tentar ganhar uma sobrevida e escapar da falência.

Na próxima terça-feira, dia 7, os ativos mais valiosos da empresa irão a leilão presencial, na capital paulista. Serão oferecidos os slots (licenças de pousos e decolagens) da empresa por US$ 140 milhões, em dois grupos formados por sete blocos, chamados de UPIs. Cada grupo terá preço mínimo de US$ 70 milhões.

Além dos slots, irá a leilão todo o banco de dados e pontos do programa de fidelidade Amigo. A empresa não comenta quanto pretende levantar com suas ofertas, mas estima-se no mercado que a Avianca deverá embolsar cerca de R$ 800 milhões. “As UPIs são atrativas para qualquer empresa que queira arrematar. São licenças altamente rentáveis e cobiçadas pelas companhias aéreas nacionais e estrangeiras”, disse um executivo da Avianca, que pediu para não ter o nome revelado.

Segundo fontes do setor, existe o interesse de fundos de investimento em arrematar o programa, assim como ocorreu no leilão das extintas Transbrasil e Varig. De posse de um grande banco de dados dos clientes, os fundos revenderam as informações para companhias aéreas, redes de varejo e bancos. “Trata-se de um ativo valioso em tempos de abertura do setor aéreo brasileiro para companhias estrangeiras”, afirma o consultor Thiago Novakoski, especialista no setor.

A Avianca deve cerca de R$ 2,7 bilhões às arrendadoras de aviões e, depois de uma disputa na Justiça, se viu obrigada a devolver quase toda sua frota. Das 57 aeronaves que tinha em novembro do ano passado, sobraram cinco.

Segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a companhia tem hoje uma média de 39 voos diários. Há um ano, eram 280. A gestora americana Elliott, maior credora da Avianca, detém 74% da dívida. O plano de recuperação judicial definido pela Elliott foi aprovado na assembleia dos credores.

A crise da Avianca já se reflete no preço das passagens aéreas. Com a devolução das aeronaves e cancelamento de voos, a oferta de assentos em algumas rotas está caindo. Com isso, como no caso do trecho Rio-Salvador, o preço médio da passagem saltou de R$ 575, em abril do ano passado, para os atuais R$ 1.380. Os preços das passagens aéreas nas principais rotas da companhia já registram altas de até 140%.

As companhias Azul, Gol e Latam negam estar tirando proveito da queda da concorrente. Informaram apenas que trabalham com preços dinâmicos, que variam conforme antecipação da compra e sazonalidade, e que as tarifas são influenciadas pela cotação do dólar e pelo preço do combustível.

O que será vendido

» Lote A
    20 voos de Guarulhos,
12 voos do Santos Dumont e
18 voos de Congonhas

» Lote B
    26 voos de Guarulhos,
8 voos do Santos Dumont e
13 voos de Congonhas

Fonte:https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/economia/2019/05/03/internas_economia,752854/mais-perto-da-falencia-avianca-leiloa-quase-tudo.shtml