O ministro interino do Planejamento, Dyogo Oliveira, defendeu de forma veemente nesta quarta-feira (6), durante audiência pública em comissões do Congresso, o reajuste para servidores, que, segundo ele, levará a aumento dos gastos públicos, de forma líquida, em R$ 62,7 bilhões entre agosto deste ano e o fim de 2018. Considerando a contribuição previdenciária, que o governo também terá de arcar, o valor sobe para R$ 68,7 bilhões. Até então, a estimativa oficial era de uma alta de R$ 67,7 bilhões nas despesas.

“Os servidores tiveram reajuste abaixo da inflação e abaixo do setor privado. A história que precisa ser levada em consideração. E as projeções para frente são de que, mesmo com esses projetos tramitando, teríamos uma continuidade de uma despesa com pessoal bem controlada em relação ao PIB”, declarou Oliveira a parlamentares.

Esses reajustes foram aprovados pela Câmara dos Deputados em um momento no qual o governo registra forte crise nas contas públicas. A estimativa é de que o rombo poderá atingir a marca dos R$ 170,5 bilhões neste ano e de que o déficit fiscal, segundo analistas, deverá ficar próximo deste valor também em 2017. A proposta para o resultado negativo do próximo ano deverá sair nos próximos dias. O aumento do Judiciário já passou pelo Senado Federal e foi enviado para sanção presidencial.

Segundo Dyogo de Oliveira, os gastos com os servidores já passaram por “processo de ajustes nos últimos anos”. “Em 2011, não foram concedidos reajustes, mas apenas resíduos de renegociações anteriores. Em 2012, também não houve aumentos, exceto Educação e Ciência e Tecnologia. Em 2013, 2014 e 2015, o reajuste médio totalizou 18% para uma inflação de 40,6% nesse período”, afirmou ele.

O ministro do Planejamento disse também que, no setor privado, o reajuste médio, considerando os acordos salariais calculados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), para o mesmo período, foi de 49,9%. “Os servidores tiveram reajuste abaixo da inflação e abaixo do setor privado”, concluiu ele.

Dyogo de Oliveira declarou ainda que, em relação ao Produto Interno Bruto, os gastos com servidores caíram desde 2009. Naquele ano, afirmou ele, somaram 4,7% do PIB e, em 2015, recuou para 4,1% do PIB. Ele disse que, mesmo com esse aumento estimado para os servidores, haverá uma relativa estabilidade em relação ao PIB até 2018.

Fonte: Agências