O governo federal fechou 2014 com o primeiro rombo nas contas do chamado governo central, que inclui o desempenho do Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central, em toda a série histórica, iniciada em 1997. Apesar do superávit de R$ 1,03 bilhão em dezembro, o buraco no ano chegou a R$ 17,2 bilhões.

O inédito déficit resultou de uma frustração de receitas combinado a um aumento das despesas federais. Esta foi a base da estratégia de política econômica do primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff: desonerações de impostos a alguns setores e aumento de gastos como forma de estímulo ao crescimento da economia.

O rombo fiscal de 2014 altera também a forma como se convencionou chamar a poupança para pagar os juros da dívida pública nas últimas duas décadas. Em vez de superávit primário, o dado do ano passado constituiu um déficit primário.

Com menos recursos canalizados para essa poupança, o endividamento aumentou. A dívida bruta do setor público teve um forte aumento no ano passado: saltou do equivalente a 56,7% do PIB no fim de 2013 para mais de 63% do PIB.

O caso mais flagrante de desajuste nas contas públicas ocorreu na Previdência Social por causa das desonerações da folha. Um dos principais focos de atrasos do Tesouro foi com as aposentadorias. Como comprovou o Tribunal de Contas da União – TCU, o Tesouro atrasou os repasses de recursos ao INSS, que, por sua vez, adiou a transferência do dinheiro aos bancos.

Fonte: COBAP