A mobilização social contrária à anunciada reforma da Previdência lotou o auditório Petrônio Portela do Senado Federal na manhã desta terça-feira (31) para o lançamento da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Previdência Social, por sugestão da ANFIP e Fundação ANFIP e iniciativa do senador Paulo Paim (PT-RS) e do deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP). Representantes de entidades de classe, sindicatos, centrais sindicais, federações, confederações, movimentos sociais, trabalhadores e servidores públicos acompanharam o evento e manifestaram repúdio aos pontos anunciados para a reforma, como fixação da idade mínima e unificação das regras para todos os trabalhadores, assim como criticaram o fim do Ministério da Previdência Social. Além da ANFIP e da Fundação ANFIP, representada no ato pela presidente Maria Inez Rezende dos Santos Maranhão, a Frente reúne mais de 50 outras entidades.

Paulo Paim destacou que a frente tem como premissa a defesa intransigente, a manutenção dos direitos sociais e a gestão transparente da Previdência Social pública e solidária. “A tarefa não será fácil, mas com nossa união tenho certeza de que sairemos vencedores”, disse. Paim criticou o fim do Ministério da Previdência Social e a criação de uma Secretaria no âmbito do Ministério da Fazenda. Por iniciativa da sociedade civil, todas as capitais realizaram nesta terça-feira atos públicos pedindo a volta da pasta. Paim destacou ainda que a Seguridade Social, onde está a Previdência, a Assistência e a Saúde, é superavitária, como anualmente comprova a ANFIP na publicação Análise de Seguridade Social.

O deputado Arnaldo Faria de Sá alertou para os interesses econômicos por trás do discurso de reforma. “A luta é desigual. A luta é da economia contra a Previdência. Os economistas estão mandando. Eles querem inviabilizar a Previdência pública para fazer o jogo da Previdência privada.” Sá também criticou o fim do Ministério da Previdência e a divisão do INSS, que foi para o Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário. O deputado também condenou a Desvinculação de Receitas da União (DRU) e questionou a incoerência do discurso do governo: “Tá na Câmara a prorrogação da DRU, querendo aumentar para 30%. Se a Seguridade não tem dinheiro, como querem levar mais dinheiro?”

O presidente da ANFIP, Vilson Antonio Romero, agradeceu aos parlamentares presentes por abraçarem a causa da Previdência Social pública. Romero reforçou que é fundamental a união de todos para manter os benefícios previdenciários: “Não podemos fazer luta política, porque a causa é do trabalhador e do servidor”. É importante ressaltar, disse, que nenhuma reforma foi proposta por qualquer governo para melhorar a condição dos trabalhadores. “Todas vieram para reduzir, cortar, contingenciar; vieram para destruir o poder aquisitivo do trabalhador, do aposentado e do servidor”, lamentou.

Vilson Romero reforçou que a Seguridade Social é superavitária, embora seja alvo de diversos ataques. “Retiram milhões de recursos, não só DRU, mas com as renúncias fiscais também”, alertou, informando que a previsão, para 2016, é que cheguem a R$ 69 bilhões as renúncias a diversos setores da economia, feitas com o dinheiro do aposentado. “Precisamos lutar para que esses recursos voltem para a Previdência. Nada mais justo que adotemos providências de correção dos rumos antes de quaisquer medidas a serem anunciadas”. O presidente acrescentou que a ANFIP vai continuar com a bandeira da Previdência Social pública, justa e solidária.

Também discursaram em defesa da Previdência Social pública, entre outros, os senadores Fátima Bezerra (PT-RN), Humberto Costa (PT-PE), Regina Sousa (PT-PI) e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), e os deputados Carlos Zarattini (PT-SP), Chico Alencar (PSOL-RJ), Erika Kokay (PT-DF), Goulart (PSD-SP), Jô Moraes (PCdoB-MG), Marcon (PT-RS), Ronaldo Benedet (PT-SC) e Padre João (PT-MG).

A mesa de abertura do ato foi composta pelos senadores Paulo Paim, Vanessa Grazziotin e Humberto Costa; deputado Arnaldo Faria de Sá; presidente da ANFIP, Vilson Romero; presidente do Mosap, Edison Haubert; representantes da Cobap, Varley Gonçalves; presidente da Contag, Alberto Broch; presidente da Associação dos Médicos Peritos, Francisco Cardoso; Frausino Antunes Neto, da CGTB; Carmem Foro, da CUT; presidente da NCST, José Calixto; João Paulo Ribeiro, da CTB; Lúcio Bellentani, da CSB; Wagner Francisco, da UGT; Edson Índio, da Intersindical; e, da Força Sindical, Sérgio Luiz Leite.

Fonte: ANFIP