queda na produção industrial de maio, apontada pela pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada nesta terça-feira (2), é apenas mais uma pincelada na composição de um quadro muito negativo da atividade econômica neste primeiro semestre de 2019.

A economia, de fato, parou. Já andava muito devagar, ao ritmo de 1,1% ao ano, resultado dos anos de 2017 e 2018. Frustraram-se as expectativas de alguma recuperação este ano, em torno de 2,5% como eram as projeções do início do ano.

A paralisia generalizada sugere que a economia não pegará no tranco, apenas pelo impulso da aprovação da reforma da Previdência, esperada para os próximos dias na Câmara dos Deputados.

O resgate da confiança depende sim dessa aprovação. Mas apenas ela não será capaz de romper a inércia da longa estagnação, que vem desde 2014, passando pelos dois anos de recessão profunda de 2015 e 2016.

liberação de depósitos compulsórios (o dinheiro que os bancos são obrigados a deixar congelados no Banco Central (BC), portanto, sem liberdade para emprestar a seus clientes) anunciada na semana passada revelou preocupação com a estagnação da economia.

Mas esse passo inicial não é suficiente. Os bancos estão com sobra de caixa. Não emprestam mais porque não há interessados, reflexo do desânimo de consumidores e falta de confiança dos empresários. Ou ainda porque quem precisa de empréstimo não o consegue: os bancos não emprestam para clientes (empresas ou famílias) que perderam condições de pagamento durante a longa crise.

O que fará então o Banco Central? A resposta poderá vir no dia 31, data de reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Caso a câmara confirme a expectativa e aprove a reforma da previdência, o Copom não terá mais argumentos para manter a taxa de juros como está, em 6,5% ao ano.

Porque os demais fatores que recomendam a redução da Selic já estão postos à mesa: a economia pode ter fechado o primeiro semestre em recessão técnica (dois trimestres consecutivos de queda) a inflação mensal perto de 0% e projetando ficar bem abaixo da meta de 4,25% para este ano. E o desemprego acima de 12%.

Fonte:https://g1.globo.com/economia/blog/joao-borges/post/2019/07/02/estagnacao-da-economia-pode-levar-bc-a-reduzir-juros-no-final-do-mes-se-previdencia-for-aprovada.ghtml