Às vésperas do enterro da segunda denúncia contra Michel Temer, a Câmara arranca do governo todas as vantagens que o déficit público pode financiar. Insatisfeitos com tudo o que já obtiveram em cargos e verbas, os deputados querem mais. Aprovaram na noite passada a penúltima versão do Refis, o programa de refinanciamento de débitos tributários. Armou-se uma grande farra.

Nos últimos 15 anos, foram lançadas sucessivas versões do Refis. Como a carga tributária no Brasil é exorbitante, imagina-se que a iniciativa seja boa. Engano. Hoje, há dois guichês na Receita. Num, quem deve paga suas dívidas. Noutro, quem sonega é premiado com descontos generosos e financiamentos camaradas. Ao notar que é tratado como imbecil, o contribuinte em dia com o fisco interrompe o pagamento e entra na fila do próximo Refis, que deveria se chamar Programa de Estímulo à Sonegação.

O novo Refis parcela dívidas tributárias com perdão de 90% dos juros e 70% das multas. A medida inclui uma automamata: Há na Câmara 291 deputados pendurados na Receita. Devem R$ 1 bilhão. No Senado, há 46 sonegadores. Devem R$ 2 bilhões.

A bancada da Bíblia enfiou na proposta o perdão de dívidas de igrejas e escolas a elas vinculadas, incluindo débitos com a Previdência, já quebrada. A falta de pudor oferece uma saída ao brasileiro endividado. Declare-se extinto como pessoa física. E se reorganize como igreja. Você passará a viver em permanente estado de graça. Amém.

Fonte: Noticias Agricolas