24/02/2016 – 08:00:00

Luiz Gonzaga Bertelli*

Na última década, o desemprego vem sendo uma das preocupações das autoridades governamentais em todo o mundo. A escassez de postos de trabalho pode ser explicada, em partes, pelos investimentos que as empresas fizeram em tecnologia para sobreviver no mercado, substituindo parcela de mão de obra por máquinas. Com isso, algumas carreiras foram extintas e as pessoas com baixa qualificação encontraram mais dificuldades para manter-se empregadas. Segundo organismos internacionais, pelo menos 850 milhões de pessoas estão desempregadas. Não apenas nos países em desenvolvimento. É uma crise que perpassa pelos Estados Unidos, Europa e até mesmo nas nações mais populosas da Ásia.

Até pouco tempo o Brasil vinha convivendo com a crise, mas mantinha números positivos em relação ao emprego. No entanto, nos dois últimos anos, as estatísticas mostram um índice crescente de desocupação, alimentado pela crise econômica e política.

Segundo previsões da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o desemprego no Brasil atinge quase um quinto da população jovem com idades entre 15 e 24 anos, acima da média mundial de 13,1%, de acordo com o estudo Tendências mundiais do emprego de jovens no mundo.

Preocupado com a situação do jovem e sua inserção no mercado de trabalho, o CIEE desenvolve o programa Aprendiz Legal. Em parceria com a Fundação Roberto Marinho, o programa insere jovens de 14 a 24 anos no mundo do trabalho, por meio da aprendizagem. A formação profissional dá-se através de capacitação prática nas empresas, entidades e órgãos públicos, e, uma vez por semana, nas aulas teóricas, ministradas por instrutores do CIEE.

Para as grandes e médias empresas, o programa auxilia no cumprimento da Lei da Aprendizagem (n.° 10.097/2000), que determina a contratação de cotas de aprendizes entre 5% e 15% do número de colaboradores. Atualmente mais de 75 mil jovens participam do programa por todo o Brasil, em nove modalidades: auxiliar de produção, auxiliar de alimentação, comércio e varejo, logística, práticas bancárias, ocupações administrativas, telesserviços, temática e turismo e hospitalidade.

O Aprendiz Legal combate, portanto, dois perniciosos problemas que afastam os jovens do mercado do trabalho: ajuda na qualificação e diminui os índices de desemprego nessa faixa etária, auxiliando diretamente no exercício da cidadania e no desenvolvimento da nação.

*Luiz Gonzaga Bertelli é presidente do Conselho de Administração do CIEE, do Conselho Diretor do CIEE Nacional e da Academia Paulista de História (APH).

Fonte: Previdência Total