O número de consumidores que reconhecem o impacto dos tributos e impostos em seus orçamentos subiu de 62%, em 2011, para 74%, este ano, com destaque para a classe social C, cuja percepção passou de 59% para 75%. Os dados constam da pesquisa nacional Impacto de Tarifas e Tributos no Brasil feita pela Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ) e o Instituto Ipsos. Foram ouvidas mil pessoas em 70 cidades, incluindo nove regiões metropolitanas.

“É um processo que fica mais evidente na classe C, porque é uma população que está tendo agora mais acesso a bens de consumo em um movimento crescente de participação no mercado consumidor”, disse ontem (5) à Agência Brasil o economista Christian Travassos, da Fecomércio-RJ.

A participação da classe C no mercado consumidor envolve bens duráveis, não duráveis e imóveis. “São pessoas que passaram a pagar o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e têm possibilidade de legalizar a sua residência”. Travassos acrescentou que a inclusão social que se visualiza no Brasil nos últimos anos trouxe resultados positivos. “Trouxe benefícios para a população, mas também trouxe deveres. Entre eles, o pagamento mais visível dos impostos”.

A classe AB continuou liderando a percepção do pagamento de impostos, com 80%, este ano, contra 77%, no ano passado. Já na classe DE, a proporção evoluiu de 53% para 58%.

Os impostos municipais, entre os quais o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), lideram os impostos pagos para 71% das pessoas consultadas, enquanto os impostos sobre produtos e serviços são apontados por 50% dos brasileiros, os impostos estaduais por 32% e os federais por 10%.

Perguntados sobre impostos indiretos, metade dos consultados não reconheceu o seu pagamento. Já na hora do consumo, uma parcela de 96% dos brasileiros admitiu saber que paga impostos embutidos na compra de alimentos. O percentual era 92%, em 2011. No quesito vestuário, a percepção de pagamento de impostos alcança 95% dos brasileiros. Seguem-se energia e higiene (94% cada), telefonia (91%), produtos de saúde (90%), serviços pessoais (88%), habitação (86%), serviços bancários (85%) e combustível (83%).

“A percepção do imposto aumentou, mas nós ainda temos muito a avançar para que o brasileiro reconheça o pagamento dos impostos indiretos e perceba também quanto isso pesa no bolso”, disse o economista.

Com base na pesquisa Cesta de Compras do estado do Rio de Janeiro, a Fecomércio estimou em números o peso da carga tributária sobre o poder de compra do brasileiro e constatou que a diferença entre os preços das cestas de compras com e sem impostos alcança R$ 107,03. Segundo a entidade, isso representa 22,2% do valor pago pelos 39 itens de alimentação, higiene e limpeza dos consumidores em suas compras mensais. No mês de setembro passado, por exemplo, o custo da cesta atingiu R$ 482,26. Esse valor cairia para R$ 375,24 sem os impostos, declarou Travassos.

“A gente tem que considerar que alimentos e os itens de primeira necessidade de higiene pessoal, que já são menos onerados, mesmo nesses casos, nesses itens, a gente tem um incremento de 22,2% no valor. Ao longo da cadeia produtiva, mais de R$ 1 em cada R$ 5 que o brasileiro paga vão para o governo”. Christian Travassos destacou que esse número ilustra a necessidade de haver no Brasil uma carga de impostos “mais razoável, mais condizente com a necessidade de oxigenar a atividade produtiva, para que a gente tenha um peso menor sobre quem produz, quem atua no comércio e gera empregos”.

Fonte: Agafisp