Com desemprego em alta, beneficiários estão sendo obrigados a recorrer aos empréstimos para cobrir despesas da família; 30,3% das agressões registradas contra idosos são por causa de dinheiro

Edson Nacimento tem desconto de R$ 1 mil para quitar o débito de R$ 20 mil. Ajuda a filha que está desempregada

O endividamento dos aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) bateu novo recorde. Com o desemprego, a queda na renda familiar e o crédito mais caro, sobrou para os segurados ajudarem nas contas da casa, usando, cada vez mais, os empréstimos consignados. Este ano, a modalidade disparou 9,4% e os beneficiários já devem R$ 94,1 bilhões aos bancos, divulgou ontem o Banco Central.

Não à toa, a violência financeira é uma das formas mais comuns de abusos contra idosos no Distrito Federal, como aponta relatório da Central Judicial do Idoso (CJI). As agressões foram constatadas em 61,7% dos atendimentos do órgão, sendo 30,3% por causa de dinheiro, já que, em alguns casos, familiares forçam os aposentados a contraírem empréstimos consignados.

Com a aposentadoria comprometida com o orçamento doméstico, o aposentado Edson Nascimento, 66 anos, entrou para a estatística das operações de crédito do BC. Ele não encontrou outra saída além de recorrer ao consignado para quitar dívidas e pagar despesas médicas. Desde novembro do ano passado, pegou dinheiro emprestado duas vezes. Hoje, a dívida é de R$ 20 mil. Todo mês, Edson desembolsa R$ 1 mil do benefício. “Não sei quanto vou pagar de juros, mas terei descontos pelos próximos dois anos”, explicou. Além das contas de casa e com medicamentos, ajuda a filha que ficou desempregada. “Ela não tem como arcar com os próprios gastos, sobra pra mim”, desabafou.

Em 12 meses, o saldo devedor dos aposentados e pensionistas cresceu 12,4%, enquanto, em média, as operações totais de crédito às pessoas físicas avançaram 4,6% no mesmo período, para R$ 1,530 trilhão. Em junho, especificamente, o aumento foi de 0,3%. De acordo com o Banco Central, somadas todas as operações de crédito, incluindo pessoas físicas e jurídicas, o saldo atingiu R$ 3,13 trilhões, o que representou recuo de 0,5% em junho.

O chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, explica que é raro ter queda no crédito em junho, e isso só ocorreu uma vez, em 2001. “O recuo é reflexo da baixa atividade econômica, de menos estímulo para tomada de crédito e de menor renda das famílias”, justifica. No primeiro semestre de 2016, a retração é de 2,8%. Em igual período do ano passado, houve alta de 2,7%.

Fonte: Correio braziliense