Reunião da Anfip e entidades de servidores e magistrados na sede da Anamatra

A ANFIP (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil) e entidades de servidores públicos e de magistrados se reuniram na última quarta-feira, 16, para coordenadar uma articulação contrária às propostas de reforma da Previdência do governo Federal.

Segundo a ANFIP, no encontro foram definidas estratégias para orientar a discussão nos movimentos sociais a fim de “combater o anunciado modelo de capitalização, semelhante ao implementado no Chile em 1981”.

Segundo Décio Lopes, coordenador de Assuntos da Seguridade Social da entidade, “essa capitalização, pelo que tem sido sinalizado, seria contribuição apenas dos segurados. Mas, e as empresas?”, questionou, sobre o empregador ficar isento de contribuir para o sistema.

Do encontro, realizado na sede da Anamatra em Brasília, participaram também o Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate), a Frente Associativa da Magistratura e Ministério Público (Frentas).

“Precisamos da união de todas as entidades para mostrar ao governo que este modelo de capitalização que aconteceu no Chile é desastroso”, afirmou a vice-presidente Executiva da ANFIP, Sandra Miranda.

Além do trabalho de mapeamento de parlamentares que possam ser interlocutores contrários ao modelo de capitalização, ficou decidido que as entidades irão produzir material publicitário para divulgar seus posicionamentos sobre o tema e a redação de Carta das entidades com os pontos defendidos pelas categorias representadas.

Em artigo publicado no site da entidade, o assessor de Estudos Econômicos da Anfip, Vilson Romero, alerta que “tendo como modelo o tsunami privatizante do Chile nos anos 80, o novo governo anuncia transformar drasticamente o seguro social brasileiro que abrange, nos setores público e privado, mais de 120 milhões de cidadãos, entre contribuintes e beneficiários”.

“Em todos os anúncios, fala-se em pauperizar definitivamente a previdência pública transformando-a numa “esmola mínima nacional”, onde todos os brasileiros, independentemente de contribuição ou vínculo empregatício, a partir dos 65 anos fariam jus a benefício assistencial desindexado e inferior ao já mínimo salário mínimo. Acima deste limite máximo do INSS, viria o modelo que faz brilhar os olhos dos “abutres financeiros”: cada trabalhador do setor público ou da iniciativa privada teria que fazer aplicações em contas individuais para garantir, décadas após, alguma dignidade na aposentadoria, se for possível e se houver dinheiro ainda”, afirma.

“Esse é o modelo que foi à bancarrota no Chile, pois passados trinta anos da sua instituição, a promessa de que os trabalhadores que contribuíam compulsoriamente para as AFPs – instituições criadas para guardar as aplicações dos chilenos – tivessem uma renda de cerca de 70% do salário, tornou-se vã. Há milhares de aposentados dormindo embaixo de marquises e viadutos por toda a Santiago e dezenas de cidades do país, e o número de suicídios se elevou drasticamente entre os idosos, segundo noticiam, pelo sofrimento, penúria e vergonha de não poder manter a si e aos seus”.

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“As mobilizações populares já fizeram o governo chileno reverter parcialmente a total privatização, mas segue a preocupação sobre o futuro dos aposentados. É isso que querem para o Brasil? É isso que querem para nossos filhos e netos? Quem sobreviver, verá!”, alerta.

 

Fonte: Hora do Povo