Planalto intensifica pressão sobre deputados, mas ainda está longe dos 308 votos necessários para aprovar mudanças nas regras de aposentadoria

O presidente Michel Temer intensificou a pressão sobre a base aliada na Câmara com o discurso de que o cenário mudou e é favorável para a votação da reforma da Previdência. Mas a realidade parece bem diferente da percepção do Planalto. Ainda há muita resistência de aliados para votar o texto neste ano, como querem os governistas.

Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que está dentro da Câmara tabulando esses apoios, o governo tem hoje em torno de 240 votos favoráveis à reforma. Mas são necessários no mínimo 308 votos para aprovar uma proposta de emenda à Constituição (PEC).

No desespero, o governo faz um corpo a corpo nos corredores da Câmara em busca de apoio. Eram 18h30 desta terça-feira (5) e um dos vice-líderes do governo, Beto Mansur (PRB-SP), abordava parlamentares em um trabalho de convencimento – ele é o “homem da planilha”, que computa os votos. A Gazeta do Povo acompanhou um trecho desse périplo em busca do voto que o governo não tem.

“Ô Bruno [deputado e ex-ministro Bruno Araújo], como tá lá no PSDB? Não vão fechar questão mesmo?”, perguntou Mansur. “Sem chance, já te disse. Isso é palavrão no partido”, respondeu Araújo.

Poucos metros depois, Mansur se encontra com outro tucano, Vítor Lippi (PSDB-SP), que dá um retorno a Mansur. “Você me pediu aquela lista [provavelmente dos tucanos pró-reforma], mas ainda não dá para fazer. Mas, olha, hoje tá melhor que na semana passada”, informa Lippi, para alegria do vice-líder, otimista com o apoio do PSDB.

“Acho que ali teremos uns 30 e poucos votos”, afirma otimista o governista. É sabido que dos 46 deputados do PSDB ao menos a metade votam contra a reforma.

Antes de entrar no plenário, nova abordagem, desta vez a Eduardo Bolsonaro (PSC-SP), filho de Jair Bolsonaro (PSC-RJ). “Cadê seu pai? Ele me mandou uma mensagem, quer falar comigo”, diz Mansur.  “Deve estar aí no plenário”, responde o filho. O presidenciável Bolsonaro, até por essa condição, vota contra a reforma.

Com semblante cansado, Mansur diz que seguiria para convencer e colher votos na sua própria bancada. “Ainda vou no PRB. É um trabalho danado”.

Fechamento de questão

O Planalto pressiona, mas siglas governistas como PSD, PP, PR e DEM manifestaram posição contrária a fechar questão pela reforma – o que significa que parlamentares que votarem contra podem sofrer punições e até serem expulsos do partido. Já o PSDB discute nesta quarta (6) o assunto, que também encontra resistências em sua bancada.

Nem o PMDB, o partido do presidente, ainda fechou questão sobre o assunto. O líder do partido na Câmara, Baleia Rossi (SP), anunciou a intenção, mas isso ainda não foi concretizado. O presidente do partido, o senador Romero Jucá (RR), nem estava pelo Congresso nesta terça.

Essa semana o tema não irá à votação. O governo reúne nesta quarta-feira (5) os líderes para dar uma passada geral nestes números. Certo é que só colocará para votar se tiver garantido, com alguma sobra, o suficiente para aprovar e não passar vexame.

 Fonte:  Gazeta do Povo